Jovens de regiões periféricas da Amazônia Legal têm se mobilizado para utilizar o voto como uma ferramenta eficaz de transformação social e política. A iniciativa busca garantir que as vozes de comunidades historicamente marginalizadas sejam ouvidas e consideradas na formulação de políticas públicas que afetam diretamente suas vidas.
Em cidades como Macapá (AP), Belém (PA) e Manaus (AM), a juventude periférica percebe que a política elaborada em gabinetes distantes da realidade local muitas vezes não atende às suas necessidades. A falta de acesso a serviços essenciais como transporte de qualidade, saúde pública eficiente e educação que prepare para o mercado de trabalho são algumas das principais queixas. A perspectiva é que a participação ativa desses jovens no processo político pode reverter esse quadro, trazendo para o centro do debate as demandas reais de quem vive e sente na pele as dificuldades do cotidiano.
A geógrafa em formação Sara Lisboa, de 21 anos, que vive em Ceilândia, uma das regiões administrativas mais populosas do Distrito Federal, destaca a importância de políticas públicas pensadas por quem vivencia a rotina dessas áreas. “Quando a política pública é realizada por gabinetes distantes da realidade, feita por pessoas que não usufruem do serviço público — como transporte, saúde e educação —, o resultado é outro. Política pública precisa ser pensada por quem vive essa rotina”, afirma. Essa visão é compartilhada por muitos jovens em todo o Brasil, incluindo a vasta região amazônica.
A campanha “Perifa nas Urnas” é um exemplo dessa mobilização. Lançada no Dia Internacional da Juventude, a iniciativa, organizada pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), visa fortalecer a formação política dos jovens e o protagonismo das periferias. O objetivo é incentivar o voto consciente e pressionar candidatos a apresentarem propostas concretas para as eleições de 2026, abordando temas cruciais para o desenvolvimento regional e a melhoria da qualidade de vida nas comunidades.
Victor Queiroz, fotógrafo, designer gráfico e graduado em Gestão Pública, de 27 anos, é um dos jovens que participaram da elaboração de uma carta-manifesto com propostas para os candidatos. Ele enfatiza que a conscientização sobre o poder do voto é fundamental para promover mudanças estruturais. “A partir do momento em que a população adquire consciência da importância que o seu voto tem para fazer as políticas públicas chegarem ao seu território, a votação deixa de ser só um dever e passa a se tornar um instrumento real e valioso”, destaca. Essa percepção é especialmente relevante em um contexto amazônico, onde a vasta extensão territorial e as particularidades socioeconômicas demandam soluções adaptadas e participativas.
A campanha aposta na comunicação de jovem para jovem, utilizando uma linguagem acessível e direta para desmistificar a política e mostrar que ela não é um domínio exclusivo dos adultos. Dyarley Viana de Oliveira, assessora política do Inesc, explica que essa estratégia é crucial para engajar a juventude. “Na linguagem dos jovens, estamos a mostrar que a política é feita por eles e para eles, e que suas vozes têm o poder de moldar o futuro de suas cidades e estados”, pontua.
No contexto amazônico, essa mobilização ganha contornos ainda mais significativos. A juventude de regiões como o interior do Pará (PA), Rondônia (RO) e Tocantins (TO) enfrenta desafios únicos, como a preservação ambiental, o acesso à terra, a oferta de empregos qualificados e a infraestrutura precária. A participação política ativa desses jovens é vista como um caminho essencial para garantir que o desenvolvimento da região ocorra de forma sustentável e inclusiva, respeitando as vocações locais e promovendo o bem-estar de suas populações.
A expectativa é que, com o aumento da conscientização e o engajamento crescente, os jovens das periferias da Amazônia Legal possam, através do voto, eleger representantes comprometidos com suas causas e implementar políticas públicas que realmente façam a diferença em suas comunidades, construindo um futuro mais justo e equitativo para toda a região.
