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Projeto Leva Cultura Amazônica para Comunidades Isoladas

Manaus (AM) – A imensidão territorial e as dificuldades de acesso marcam a realidade de muitas comunidades na Amazônia Legal. Nesse cenário, um projeto inovador tem buscado aproximar a população de equipamentos e manifestações culturais, levando arte, história e conhecimento para regiões remotas do Brasil. A iniciativa, que já obteve resultados expressivos em cidades como Salvador (BA), agora mira o Norte do país, onde a distância entre os centros urbanos e as comunidades ribeirinhas e do interior é ainda mais acentuada.

A proposta é simples, mas de grande impacto: facilitar o acesso a museus, bibliotecas, teatros e eventos culturais para moradores de áreas isoladas, que, por diversas razões, raramente têm a oportunidade de desfrutar desses bens. Em muitos casos, como observado em Águas Claras, um bairro periférico de Salvador, os moradores, mesmo vivendo na capital, enfrentavam barreiras logísticas e financeiras para chegar aos centros culturais.

“A gente tem que fazer isso mais vezes. Isso abre o nosso entendimento. Isso é cultura e é bom para a gente. Eu amei. Tem pessoas que nunca tinham vindo no Pelourinho, nunca estiveram aqui. Eu acho que eles deviam fazer isso com a maioria da comunidade, levar a cultura ou trazer o povo até a cultura, já que a cultura não vai nas periferias”, relatou Soraia Santos Pinto, 61 anos, moradora de Águas Claras, após visitar a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) e a Fundação Casa de Jorge Amado.

A experiência de Soraia, que frequentava uma biblioteca comunitária e participava de aulas de boxe e capoeira, ilustra a importância de levar a cultura para perto. No contexto amazônico, essa necessidade se multiplica. Cidades como Macapá (AP), Porto Velho (RO) e Belém (PA) possuem equipamentos culturais importantes, mas o deslocamento para comunidades ribeirinhas, assentamentos rurais ou regiões de difícil acesso pode levar dias, envolvendo rios e estradas precárias.

A articuladora territorial Aline Dias, do bairro de Águas Claras, destacou que a comunidade, embora resiliente e com forte rede de apoio, por muito tempo viveu à margem da cidade. A chegada do metrô e a construção de uma rodoviária começaram a mudar esse cenário, impulsionando ações sociais e culturais e elevando a autoestima dos moradores. “Agora ela já começa a ter mais coragem e confiança para poder expor o que acontece de bom por lá”, comentou.

Na Amazônia, o projeto visa replicar esse modelo, adaptando-o à realidade local. Isso pode envolver a criação de bibliotecas volantes em embarcações, oficinas culturais em comunidades ribeirinhas, exposições itinerantes em praças públicas de municípios do interior e parcerias com escolas e associações comunitárias. O objetivo é democratizar o acesso à cultura, fortalecendo a identidade regional e promovendo a inclusão social.

A valorização da cultura amazônica, com suas ricas tradições indígenas, folclóricas e artísticas, é um dos pilares dessa iniciativa. Ao aproximar essas manifestações das comunidades, o projeto não só educa, mas também fortalece o sentimento de pertencimento e o orgulho de suas raízes. A expectativa é que, assim como em Salvador, a população amazônica possa ter suas perspectivas ampliadas e sua qualidade de vida melhorada através do acesso à cultura.

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