Três meses após a localização do corpo do motorista de aplicativo Matheus Ferreira Rocha, de 22 anos, a busca por respostas sobre seu assassinato continua. O caso, que chocou a Região Metropolitana de Belém (PA), segue sob sigilo na Polícia Civil do Estado do Pará (PCPA), conforme informado pela corporação à reportagem. A família, diante da falta de desdobramentos públicos, intensifica a mobilização nas redes sociais, clamando por justiça e mantendo viva a memória do jovem.
O corpo de Matheus foi encontrado em 4 de maio, enterrado em uma cova rasa em uma área de mata no bairro 40 Horas, em Ananindeua (PA). O desaparecimento do jovem ocorreu em 23 de abril, quando ele saiu para trabalhar como motorista de aplicativo na capital paraense. O último contato com a família ocorreu quando ele mencionou que aguardava a chuva passar antes de continuar uma corrida. Após esse contato, Matheus desapareceu.
A mobilização da família e amigos começou imediatamente após o registro do desaparecimento. Nas redes sociais, a campanha #JustiçaPorMatheus ganhou força, reunindo fotos, vídeos e lembranças do jovem, além de atualizações sobre o andamento das buscas e, posteriormente, da investigação. A criação de um perfil dedicado no Instagram tem sido fundamental para manter o caso em evidência e pressionar por respostas.
Durante as buscas iniciais, a motocicleta utilizada por Matheus foi encontrada nas proximidades do bairro Tapanã, em Belém (PA). Dias depois, um sapato que pertencia ao jovem também foi localizado, indicando a direção das buscas que culminaram na descoberta de seu corpo.
A perícia revelou que o corpo apresentava pelo menos oito perfurações causadas por disparos de arma de fogo, evidenciando a violência do crime. No sepultamento, familiares e amigos prestaram homenagens e reforçaram o apelo por justiça. A mãe de Matheus, Isis Ferreira, utilizou o momento para rebater boatos que circulavam sobre o envolvimento do filho com atividades ilícitas, afirmando que ele era trabalhador e que a única dívida conhecida pela família era de cerca de R$ 2 mil, utilizada para ajudar um amigo a resgatar uma motocicleta apreendida.
Em 5 de agosto, a reportagem do Diário do Pará buscou atualização junto à PCPA. A resposta oficial foi que o caso está sob sigilo na Delegacia de Homicídios Metropolitana (DHM), sem que houvesse divulgação sobre a identificação de suspeitos, novas diligências ou prazos para a conclusão do inquérito. A manutenção do sigilo é uma prática comum em investigações de homicídio para não comprometer o andamento das apurações, mas gera angústia e impaciência nos familiares.
O contexto amazônico, marcado pela vasta extensão territorial e, por vezes, pela dificuldade de acesso a áreas remotas, pode apresentar desafios adicionais em investigações criminais. No entanto, a Região Metropolitana de Belém, onde o crime ocorreu, é um centro urbano com infraestrutura que geralmente favorece a coleta de evidências e o rastreamento de suspeitos. A expectativa é que a investigação avance, trazendo luz aos fatos e permitindo que a justiça seja feita para Matheus Ferreira Rocha e sua família, que anseiam por respostas em meio à dor da perda.