A percepção de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu de forma inadequada ao recente aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, conhecido como “tarifaço”, aumentou de 36% para 43% em nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5). O levantamento reflete um cenário de crescente insatisfação popular com as medidas econômicas adotadas pelo governo.
A última pesquisa, realizada em maio, antecedeu a entrada em vigor da nova sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos a itens brasileiros, que efetivamente começou em julho. Este novo imposto impacta diretamente a balança comercial e a competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional, gerando apreensão entre produtores e consumidores, inclusive na região amazônica, onde a economia muitas vezes depende da exportação de matérias-primas e produtos agrícolas.
Na pesquisa anterior, a avaliação positiva de que Lula havia respondido bem ao “tarifaço” era de 39%, mas este índice caiu para 38% na sondagem atual, uma variação considerada dentro da margem de erro. Paralelamente, o percentual de entrevistados que consideraram a resposta do presidente como “nem bem, nem mal” diminuiu de 5% para 4%.
A pesquisa, que ouviu 2.004 eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto por meio de entrevistas presenciais, aponta ainda que 15% dos entrevistados não souberam ou não responderam, indicando um certo grau de indecisão ou falta de informação clara sobre o tema.
A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi encomendada pelo Banco Genial e devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-06591/2026.
O contexto amazônico é particularmente sensível a este tipo de medida. Regiões como o Pará (PA), Amazonas (AM) e Amapá (AP), que possuem economias com forte vocação para a exportação de produtos primários, como soja, minério de ferro e produtos da floresta, sentem o impacto direto de barreiras comerciais. Um “tarifaço” pode afetar a rentabilidade dessas cadeias produtivas, desestimular investimentos e, consequentemente, impactar a geração de empregos e a renda das populações locais. A instabilidade nas relações comerciais internacionais exige atenção redobrada dos governantes para garantir a competitividade e o desenvolvimento sustentável da região.
A oscilação na percepção pública sobre a gestão de Lula em relação a medidas econômicas de impacto internacional como esta “tarifaço” sinaliza a necessidade de comunicação clara e de políticas assertivas para mitigar os efeitos negativos sobre a economia brasileira, incluindo os setores estratégicos da Amazônia Legal.
