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Semana da Ética e Cidadania: Lei Avança, Mas Impacto na Amazônia É Incerto

A primeira semana de maio, a partir de agora, será oficialmente dedicada à Semana Nacional da Ética e da Cidadania em todo o território brasileiro. A Lei 15.467/26, publicada no Diário Oficial da União em 14 de maio, institui a data com o objetivo de promover valores éticos, o exercício da cidadania e o combate à corrupção. A iniciativa, originada do Projeto de Lei 162/24 do deputado Raniery Paulino (Republicanos-PB), prevê a participação de órgãos públicos, instituições de ensino, entidades de classe, sociedade civil organizada e meios de comunicação na realização de ações educativas e campanhas de conscientização.

Embora a intenção seja louvável e necessária em um país marcado por escândalos de corrupção e desigualdades sociais, a efetividade desta lei para a realidade da Amazônia Legal e de sua população local ainda é uma incógnita. A região, que abrange nove estados e concentra uma parcela significativa dos desafios éticos e de governança do Brasil, enfrenta problemas crônicos como o desmatamento ilegal, a grilagem de terras, a mineração predatória e a violência, muitas vezes associados à fragilidade das instituições e à falta de fiscalização eficaz.

A criação de uma semana dedicada à ética e cidadania, por si só, não garante mudanças concretas. A eficácia dependerá da forma como as ações serão implementadas e da prioridade que governos locais e regionais darão a essas discussões. Em cidades como Macapá (AP), Manaus (AM) e Belém (PA), onde a presença do Estado é muitas vezes limitada e a população local, especialmente as comunidades indígenas e ribeirinhas, sofre os impactos diretos da má gestão e da corrupção, a promoção da ética precisa ir além de eventos simbólicos. É fundamental que essas discussões se traduzam em políticas públicas robustas e fiscalização rigorosa.

O deputado Paulino afirma que a iniciativa “já encontra eco na sociedade, somando-se a outras leis, estaduais e municipais, normas públicas e privadas adotadas”. No entanto, é preciso questionar se esse eco alcança as periferias, as comunidades isoladas e os povos originários da Amazônia. A corrupção na região muitas vezes se manifesta na apropriação indevida de recursos destinados à saúde, educação e infraestrutura, prejudicando diretamente o desenvolvimento social e econômico dessas populações. A falta de acesso à justiça e a impunidade agravam o cenário.

A Semana Nacional da Ética e da Cidadania pode ser uma ferramenta importante, mas apenas se for acompanhada por ações concretas de fortalecimento institucional, transparência e participação social. Para a Amazônia, isso significa, por exemplo, que as discussões sobre ética na gestão pública devem estar intrinsecamente ligadas ao combate ao crime organizado que explora os recursos naturais, à garantia dos direitos dos povos indígenas e à promoção de um desenvolvimento sustentável que beneficie a população local e não apenas interesses externos. Sem essa conexão, a lei corre o risco de se tornar mais um marco burocrático sem impacto real na vida de milhões de brasileiros que habitam a maior floresta tropical do mundo.

A realidade da Amazônia exige que a ética e a cidadania sejam praticadas diariamente, em cada decisão administrativa, em cada fiscalização ambiental e em cada investimento social. A nova lei é um ponto de partida, mas o verdadeiro desafio reside na sua aplicação prática e na sua capacidade de gerar transformação social e governança responsável em uma região estratégica para o futuro do Brasil e do planeta.

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