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Senador Quer PIX na Constituição e Ignora Urgências da Amazônia

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) apresentou um pedido para acelerar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 11/2023, que visa incluir o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, no rol de direitos fundamentais da Constituição Federal. A iniciativa, embora aparentemente inócua para muitos, levanta questionamentos sobre as prioridades legislativas quando se trata da Região Amazônica e seus desafios socioeconômicos.

Enquanto o senador por Amazonas foca em blindar juridicamente o Pix, garantindo sua permanência independentemente de futuras regulamentações ou mudanças governamentais, a população local e o meio ambiente da Amazônia enfrentam problemas mais prementes. A região, que abrange nove estados brasileiros e detém uma biodiversidade inestimável, clama por atenção em frentes como fiscalização ambiental, combate ao desmatamento, regularização fundiária e investimentos em infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

A PEC 11/2023, que tramita no Congresso Nacional, busca inserir o Pix no artigo 5º da Constituição, que trata dos direitos e garantias fundamentais. A justificativa apresentada pela proposta, que já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, é a de que o Pix se tornou um serviço essencial para a população brasileira, facilitando transações financeiras e promovendo a inclusão digital. No entanto, a ênfase em um sistema de pagamento, por mais popular que seja, em detrimento de questões estruturais que afetam diretamente a vida de milhões de amazônidas e amazônidas, é um ponto de crítica.

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, apesar dos avanços, a desigualdade social ainda é uma realidade marcante em muitos municípios da Amazônia Legal. A falta de acesso a serviços básicos, como saneamento, educação de qualidade e saúde, impacta diretamente a qualidade de vida e as oportunidades de desenvolvimento para as comunidades locais, incluindo povos indígenas e ribeirinhos. Nesse contexto, a inclusão do Pix na Constituição parece, para muitos analistas, um desvio de foco.

O debate sobre a PEC do Pix, que pode ser votada em breve no plenário do Senado, ocorre em um momento delicado para a Amazônia. Relatórios recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam um aumento preocupante nos índices de desmatamento e queimadas em 2023, especialmente em estados como Pará (PA) e Amazonas (AM). A pressão sobre os recursos naturais, impulsionada em parte por atividades econômicas predatórias e pela falta de fiscalização efetiva, ameaça não apenas a biodiversidade, mas também o modo de vida das populações tradicionais e a estabilidade climática global.

A urgência, segundo especialistas em política ambiental e desenvolvimento regional, reside na aprovação de medidas que fortaleçam órgãos como o IBAMA e o ICMBio, garantam a demarcação de terras indígenas e quilombolas, e promovam alternativas econômicas sustentáveis para a região. A discussão sobre a constitucionalização do Pix, enquanto pode trazer segurança jurídica para o sistema, não aborda diretamente os gargalos que impedem o progresso social e ambiental na maior floresta tropical do mundo. A priorização desse tema pela bancada amazônica, representada por Valério, pode ser interpretada como uma desconexão com as necessidades mais profundas e urgentes da população que afirmam representar.

É fundamental que o Congresso Nacional e os representantes eleitos da Amazônia direcionem seus esforços para pautas que tenham impacto direto e positivo na vida das pessoas e na preservação do ecossistema. A segurança digital e a eficiência nas transações financeiras são importantes, mas não podem ofuscar a luta pela sobrevivência, pelo desenvolvimento justo e pela proteção de um patrimônio que pertence a toda a humanidade.

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