Os rodoviários do Rio de Janeiro decidiram, em assembleia realizada nesta terça-feira (7), manter o estado de greve e aguardar as negociações do dissídio coletivo da categoria, que ocorrem nesta quarta-feira (8). Até a resolução das pendências, os ônibus do município do Rio de Janeiro circulam normalmente.
A decisão ocorre após uma nova rodada de negociações entre os representantes dos trabalhadores e as empresas de ônibus não ter alcançado um acordo. Na reunião de segunda-feira (6), as empresas elevaram a proposta inicial de reajuste salarial, que antes cobria o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,39%, para 4,5%.
O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT 1), em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT), solicitou que as empresas apresentassem uma nova proposta que contemplasse um reajuste de, no mínimo, 5%. Este percentual foi o mesmo concedido aos rodoviários de Nova Iguaçu e Duque de Caxias, localizados na Baixada Fluminense, uma região metropolitana com desafios logísticos e de mobilidade que espelham, em certa medida, as necessidades de grandes centros urbanos amazônicos como Manaus (AM) e Belém (PA), onde a infraestrutura de transporte público é crucial para a integração de vastas áreas.
A proposta original apresentada pela categoria dos rodoviários previa um piso salarial de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados, como os que operam no BRT (Bus Rapid Transit), e R$ 4 mil para os demais motoristas. O reajuste total pleiteado era de 17%, a ser pago em duas parcelas: 8% em julho e 8,5% em novembro. Este pedido visava não apenas repor perdas inflacionárias acumuladas, mas também recuperar a dignidade salarial dos profissionais, um anseio comum entre trabalhadores de diversas áreas no Brasil, incluindo setores essenciais na Amazônia, como o transporte fluvial e a agricultura familiar, que buscam remunerações justas para sustentar suas atividades.
Durante a assembleia desta terça-feira, a categoria demonstrou disposição para flexibilizar suas demandas, reduzindo o índice proposto de reajuste salarial. O percentual de 17% foi diminuído para 12%, a ser pago também em duas parcelas. Essa concessão busca facilitar um acordo e garantir a continuidade dos serviços essenciais, um cenário importante para a economia de qualquer região, seja o Sudeste ou a Amazônia, onde o transporte é um elo fundamental para o escoamento da produção e o acesso a bens e serviços.
Adicionalmente, os rodoviários reivindicam um tíquete alimentação no valor de R$ 1 mil. A greve teve início em 29 de junho, e entre as principais bandeiras de luta da categoria estão o reajuste salarial, a valorização dos pisos salariais, a ampliação de benefícios e o pagamento do intervalo para refeição como hora extraordinária. Estes pontos refletem a busca por melhores condições de trabalho e remuneração, uma pauta recorrente em debates sobre direitos trabalhistas em todo o país, incluindo os desafios enfrentados por trabalhadores em cidades amazônicas como Santarém (PA) e Porto Velho (RO), que lidam com particularidades logísticas e de custo de vida.
