Macapá (AP) — A Polícia Civil do Amapá deflagrou a segunda fase da Operação Boleto Fantasma, resultando na apreensão de bens avaliados em mais de R$ 5 milhões. A ação, que cumpriu mandados em Goiás e Santa Catarina, desarticulou uma suposta organização criminosa investigada por aplicar golpes por meio de sites falsos que simulavam a emissão de segunda via de contas de energia.
Sete suspeitos foram presos durante a operação. A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DR-CCIBER), da Polícia Civil do Amapá, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Houve colaboração das Polícias Civis de Goiás e de Santa Catarina, além do Núcleo de Operações de Inteligência (NOI) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), ambos da Polícia Civil do Amapá.
Foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva, 22 mandados de busca e apreensão e 20 medidas de sequestro de bens nos estados de Goiás e Santa Catarina. Das buscas realizadas, 18 ocorreram em Goiás e quatro em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. De acordo com a Polícia Civil, dois integrantes da organização criminosa permanecem foragidos.
A operação resultou no bloqueio de valores, indisponibilidade patrimonial, sequestro de bens e apreensão de veículos utilizados pelo grupo. Entre os bens apreendidos estão um Porsche, duas BMWs, dois caminhões, além de outros automóveis, uma motoaquática, equipamentos eletrônicos, documentos, dispositivos de armazenamento e materiais relacionados à movimentação financeira investigada.
Durante as diligências, também foram apreendidos dinheiro em espécie, joias, um relógio de luxo e equipamentos eletrônicos. A apreensão física de dinheiro, ouro, prata e do relógio alcançou valor estimado de pelo menos R$ 311.335, sendo R$ 26.335 em espécie, cerca de R$ 150 mil em ouro, R$ 10 mil em prata e um relógio Rolex avaliado em aproximadamente R$ 125 mil.
Diversos equipamentos eletrônicos foram apreendidos, incluindo iPhones, MacBooks, computadores gamers, tablets, notebooks e uma carteira de hardware utilizada para armazenamento de criptoativos. O conjunto dos equipamentos está avaliado em mais de R$ 200 mil. Todo o material será submetido à análise para aprofundar a apuração, identificar o fluxo financeiro, localizar novos bens e valores e apurar eventuais beneficiários do esquema.
Segundo a investigação, a organização criminosa criava sites falsos para a emissão de segunda via de faturas da concessionária de energia do Amapá. As vítimas eram levadas a acreditar que acessavam um ambiente legítimo, efetuando pagamentos que não quitavam seus débitos, mas que eram direcionados para as contas dos criminosos. A Polícia Civil informou que a investigação iniciou após o registro de diversas reclamações de consumidores que caíram no golpe. As autoridades orientam a população a sempre verificar a autenticidade dos sites e boletos antes de realizar qualquer pagamento, especialmente de contas de serviços essenciais.
