O Brasil iniciou sua participação nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, com um desempenho expressivo no ciclismo de estrada. Nesta quinta-feira (2), a delegação brasileira conquistou sete medalhas, sendo quatro de ouro e três de prata, em provas de contrarrelógio. O contrarrelógio é uma modalidade em que vence o atleta que completa o percurso em menor tempo.
Entre as medalhistas de destaque está Jerusa Geber, atleta de 44 anos natural do Acre, que conquistou a medalha de prata na classe B, destinada a atletas com deficiência visual. Jerusa, que se dedica ao ciclismo desde o final de 2024, já é uma estrela consagrada do atletismo paralímpico. Ela ostenta o título de tetracampeã mundial nos 100 metros rasos, modalidade na qual detém o recorde e é pioneira ao ser a primeira pessoa cega a completar a prova em menos de 12 segundos. Seus feitos incluem ainda duas medalhas de ouro nos Jogos Paralímpicos de Paris, há dois anos, nas provas de 100m e 200m.
Na prova de contrarrelógio, Jerusa Geber, guiada pela paulista Marcella Toldi, completou o percurso em 27min55s23. Ela foi superada apenas por outra brasileira, Viviane Soares, do Rio de Janeiro, que sagrou-se campeã com o tempo de 26min46s41. A argentina Maria Jose Quiroga (29min13s73) completou o pódio.
“Estou muito feliz com este resultado. O ciclismo é uma paixão para mim. Estou gostando muito e pretendo ficar nele por bastante tempo. Até onde der, quero seguir no esporte dando trabalho para minhas adversárias”, declarou Jerusa Geber, em depoimento à comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). A declaração ressalta a satisfação da atleta em migrar para uma nova modalidade e manter seu alto nível competitivo, demonstrando a versatilidade e o talento que a caracterizam.
Viviane Soares, que também é medalhista de ouro na disputa para atletas com deficiência visual, tendo a paulista Lara Marinho como sua piloto, divide sua dedicação entre o atletismo e o ciclismo. A atleta de 30 anos, natural do Rio de Janeiro, já havia conquistado a medalha de bronze nos 100m da classe T12 (baixa visão) no Campeonato Mundial de Atletismo de 2019. Inicialmente, Viviane planejava encerrar sua carreira esportiva em 2025, mas foi apresentada ao ciclismo, modalidade que a motivou a continuar competindo.
“Muitas pessoas me ajudaram e me apoiaram nos momentos mais difíceis, quando pensei em parar. Foi uma prova maravilhosa. Eu sabia que tinha chances de pódio, mas não sabia qual medalha seria. Entrei para dar tudo de mim e mais um pouco para conseguir este ouro. Foi duro, cansei bastante, mas deu tudo certo no final”, celebrou Viviane Soares, também em declarações à assessoria de imprensa do CPB. A conquista evidencia a resiliência da atleta e a importância do apoio em sua trajetória.
Além das medalhas de Jerusa e Viviane, o Brasil subiu ao pódio com outros cinco ciclistas. No masculino, Lauro Chaman, de São Paulo, venceu a disputa na classe C5 (atletas com deficiências físico-motoras leves ou amputações), com o tempo de 34min30s81, superando os colombianos Diego Dueñas e Juan Gómez. No feminino, Fabiana Ventura, de Minas Gerais, conquistou a medalha de prata na classe C2 (comprometimento físico-motor moderado), com o tempo de 32min08s15, ficando atrás da colombiana Paula Ossa, mas à frente da panamenha Laydis Veja. A performance brasileira em Valledupar demonstra a força e o potencial do esporte paralímpico nacional, com atletas de diversas regiões do Brasil, incluindo o Acre e São Paulo, obtendo resultados expressivos em competições internacionais.
