Os preços da arroba do boi gordo registram queda em junho, influenciados pela desaceleração das compras da China. Este movimento, embora impacte os pecuaristas, aumenta a competitividade da carne bovina brasileira frente a proteínas concorrentes, como a suína. Um levantamento recente do Centro de Pesquisa de Economia Aplicada (Cepea) aponta que, enquanto a arroba do boi acumula desvalorização no mês corrente, a carcaça suína perdeu espaço no mercado interno após oito meses consecutivos de ganhos em relação à carne bovina.
A retração na arroba do boi gordo ocorre mesmo em um contexto global de estoques de carne bovina em seus menores níveis desde 2006 e de preços internacionais próximos de máximas históricas. A principal razão para essa dinâmica está no ritmo das exportações brasileiras para a China. Dados oficiais chineses indicam que o Brasil já utilizou aproximadamente 65% de sua cota de exportação de carne bovina para o país asiático até maio. A projeção é que este limite seja totalmente preenchido já em julho. Considerando que a carne brasileira leva até 60 dias para chegar ao seu destino, os frigoríficos que atendem ao mercado chinês têm diminuído o ritmo de aquisição de animais para o abate.
O Cepea também ressalta que o controle de estoques internos na China e uma postura mais cautelosa por parte dos importadores têm reduzido a agressividade das aquisições no mercado internacional. Essa combinação de fatores contribui para a pressão sobre as cotações domésticas do boi gordo, afetando diretamente produtores em regiões como o Pará (PA) e o Mato Grosso (MT), importantes polos de produção bovina na Amazônia Legal.
No segmento das proteínas concorrentes, a carcaça especial suína também apresenta queda de preços na Grande São Paulo na parcial de junho. Essa desvalorização é influenciada pelos estoques elevados da indústria. Contudo, a intensidade da queda foi menor quando comparada à carcaça bovina e ao frango resfriado. Consequentemente, a carne suína perdeu competitividade em relação às alternativas disponíveis no mercado.
Segundo o Cepea, a demanda por cortes suínos permanece aquecida neste mês, impulsionada pelas festas juninas e pelo clima mais frio em diversas regiões do país. Apesar disso, o aumento do consumo não foi suficiente para reduzir os estoques acumulados pela indústria nem para sustentar uma recuperação nos preços. Essa situação marca o fim de uma sequência de oito meses em que a carne suína ganhava competitividade frente à bovina e de dois meses em relação ao frango resfriado. Com a queda mais acentuada nas cotações do boi gordo, a carne bovina volta a se apresentar como uma opção relativamente mais atrativa para o consumidor, um reflexo da dinâmica complexa entre oferta, demanda e relações comerciais internacionais, que impactam desde os grandes centros urbanos até as comunidades rurais da Amazônia.
