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Aparelhos de Radioterapia: um Avanço para SP, Mas e a Amazônia?

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, em 23 de maio, da entrega de um moderno equipamento de radioterapia no Hospital Santa Marcelina, na zona leste de São Paulo. A iniciativa, parte de um pacote de 105 aparelhos contratados nos últimos três anos e distribuídos por todo o país, visa ampliar o acesso a tratamentos oncológicos. Lula destacou a importância do acesso da população a tecnologias de ponta, afirmando que a máquina entregue é mais moderna que a utilizada em seu próprio tratamento recente.

A chegada do novo acelerador linear ao Hospital Santa Marcelina, que já contava com três equipamentos mais antigos, é estimada em aumentar em 30% a capacidade de atendimento e reduzir o tempo de início do tratamento de câncer de 45 para 10 dias. Paralelamente, a instituição firmou convênios com o Ministério da Saúde, garantindo R$ 166,7 milhões para o tratamento de pacientes com câncer, e obteve a certificação como Hospital de Ensino Nível 1.

Eventos simultâneos marcaram a entrega de aceleradores em Fortaleza (CE) e Sinop (MT), além da assinatura para a compra de 20 tomógrafos para hospitais do SUS. Em Sinop (MT), o Hospital Santo Antônio se insere na estratégia nacional de descentralização da radioterapia, buscando reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para grandes centros, especialmente para a população da região norte do estado, que recentemente atendeu o cacique Raoni.

Apesar dos avanços em centros urbanos como São Paulo, Fortaleza e Sinop, a notícia levanta um questionamento crucial para a região amazônica: como essas entregas impactam o acesso à saúde para a população local, que enfrenta desafios logísticos e de infraestrutura singulares? Desde 2023, foram contratados 155 aceleradores lineares, com previsão de entrega de 70 equipamentos até 2026, dos quais 44 já foram inaugurados. No entanto, a distribuição desses recursos e a priorização de regiões remotas e vulneráveis, como a Amazônia Legal, demandam um olhar crítico.

A Amazônia Legal, composta por nove estados, incluindo Amazonas (AM), Pará (PA), Acre (AC), Rondônia (RO), Roraima (RR), Amapá (AP), Tocantins (TO) e parte do Maranhão (MA) e Mato Grosso (MT), sofre com a precariedade de serviços de saúde em muitas de suas cidades. A vasta extensão territorial, as dificuldades de transporte e a concentração de recursos em grandes centros urbanos criam um cenário onde a entrega de um aparelho de radioterapia em São Paulo, por mais importante que seja, pode parecer distante para quem vive em Macapá (AP) ou em comunidades ribeirinhas.

A política de descentralização da radioterapia, embora louvável, precisa ser acompanhada de investimentos robustos em infraestrutura e capacitação profissional nas regiões mais carentes. O acesso à saúde não pode ser um privilégio de poucos, mas um direito garantido a todos os brasileiros, independentemente de onde residam. A chegada de equipamentos modernos em centros metropolitanos é um passo, mas o verdadeiro avanço reside em levar essa tecnologia e o cuidado especializado para as periferias, para o interior e, especialmente, para a Amazônia, onde a necessidade é gritante e a luta pela vida se torna ainda mais árdua.

É fundamental que o Ministério da Saúde e o governo federal apresentem um plano concreto e detalhado para a expansão da radioterapia na Amazônia Legal, considerando as especificidades regionais. Isso inclui não apenas a entrega de equipamentos, mas também a construção e modernização de unidades de saúde, a formação de equipes médicas especializadas e a garantia de logística para o funcionamento contínuo desses aparelhos. Sem um olhar atento e direcionado para a Amazônia, a promessa de acesso universal à saúde corre o risco de se tornar mais uma vez uma realidade distante para milhões de brasileiros.

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