São Miguel do Guamá (PA) – Um grave caso de negligência familiar chocou os moradores de São Miguel do Guamá, município localizado na região nordeste do Pará, nesta semana. Uma criança de apenas oito anos de idade foi encontrada desamparada, após sua própria mãe, identificada como Larissa Ferreira dos Reis, de 26 anos, deixá-la sozinha para viajar ao estado de Minas Gerais (MG) em busca de trabalho. A ausência de cuidados básicos para o menor mobilizou a Polícia Militar (PM) e culminou na prisão da genitora.
A situação chegou ao conhecimento das autoridades policiais por meio do avô paterno da criança. Segundo o relato do idoso ao 42º Batalhão da PM, sua filha teria informado ao menino que viajaria para outro estado com o objetivo de trabalhar. No momento da partida, a mãe instruiu o filho a procurar a casa do avô caso necessitasse de algo. A ação gerou revolta entre os presentes no terminal rodoviário da cidade, que testemunharam a cena.
Diante da denúncia e da gravidade da situação, o comandante do batalhão determinou o envio imediato de uma guarnição, composta pelo sargento Campos e pelo cabo Wanderson, para averiguar as informações e localizar a criança e a mãe. As buscas concentraram-se nas imediações do terminal rodoviário, ponto estratégico para viagens interestaduais.
A suspeita foi localizada no terminal, portando bagagens e com uma passagem de viagem já adquirida para Minas Gerais. A Polícia Militar agiu rapidamente para impedir a viagem e garantir a segurança da criança. A mãe foi detida no local e conduzida à Delegacia de Polícia Civil de São Miguel do Guamá. Ela responderá pelo crime de abandono de incapaz, tipificado no Código Penal Brasileiro e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Este episódio ressalta a importância da rede de apoio familiar e das políticas públicas de proteção à infância e adolescência, especialmente em regiões como a Amazônia Legal, onde as dinâmicas sociais e econômicas podem, por vezes, expor crianças e adolescentes a situações de vulnerabilidade. A viagem em busca de oportunidades de trabalho, embora compreensível em muitos contextos, não pode se sobrepor ao dever primordial de cuidado e proteção dos filhos. O caso servirá como alerta para a necessidade de acompanhamento e fiscalização de situações que coloquem em risco o bem-estar de menores de idade no interior do Pará e em toda a região amazônica.
