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Defesa Jurídica Gratuita para Agentes de Segurança É Aprovada

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deu um passo significativo na última quarta-feira (22) ao aprovar um projeto de lei que assegura defesa jurídica integral e gratuita a uma ampla gama de profissionais de segurança pública. A medida, que agora segue para análise nas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, representa um avanço na proteção desses trabalhadores, mas levanta questionamentos sobre a sua aplicação e os potenciais impactos, especialmente na vasta e complexa região amazônica.

O texto aprovado é um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Sargento Fahur (PL-PR), que expandiu consideravelmente o escopo da proposta original. Inicialmente, o Projeto de Lei 6040/25, de autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS), previa a proteção apenas para as polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária e Penal. O novo texto, no entanto, inclui guardas municipais, bombeiros, peritos criminais, policiais legislativos e judiciais, além de agentes de trânsito e socioeducativos. Essa ampliação, embora bem-intencionada, pode gerar um aumento expressivo na demanda pelos serviços de advocacia pública.

O deputado Sargento Fahur justificou a ampliação como um ato de reconhecimento e valorização: “É legítimo e necessário que o Estado assegure a esses profissionais adequada proteção institucional e assistência jurídica, como forma de reconhecimento e valorização”. A assistência jurídica abrangerá processos civis, penais ou administrativos que decorram de atos praticados durante o exercício da função ou em razão dela. A proteção se estende também a agentes aposentados ou da reserva, mas somente em relação a fatos ocorridos durante o período em que estavam na ativa.

A responsabilidade pela defesa recairá sobre a Advocacia-Geral da União (AGU) e as procuradorias estaduais e municipais. Em casos de sobrecarga ou insuficiência de pessoal, os governos poderão firmar convênios com defensorias públicas ou escritórios de advocacia credenciados. Para usufruir do benefício, o profissional deverá comprovar que o ato questionado ocorreu no exercício da função. A assistência será negada ou cancelada em situações de comprovada má-fé, fraude, dolo específico ou conflito de interesses com o Estado.

Na Amazônia Legal, onde a atuação dos profissionais de segurança pública frequentemente ocorre em cenários de alta complexidade, como combate ao desmatamento ilegal, garimpo, tráfico de drogas e crimes ambientais, a garantia de defesa jurídica é um tema sensível. A vastidão territorial, a escassez de recursos em muitas localidades remotas e a natureza dos desafios enfrentados podem tornar a aplicação da lei e a atuação policial ainda mais arriscadas. Em cidades como Macapá (AP), onde a fiscalização ambiental é um desafio constante, ou em áreas de fronteira no Pará (PA) e Amazonas (AM), onde a presença do Estado é diluída, a atuação desses agentes é crucial e muitas vezes exposta.

O impacto econômico e social da medida para a região pode ser significativo. Por um lado, a proteção jurídica pode encorajar uma atuação mais firme e decidida no combate a atividades ilícitas que afetam diretamente a sustentabilidade da floresta e a vida das comunidades locais. Por outro, a ampliação da demanda pode sobrecarregar os já limitados recursos das procuradorias e AGU na região, que precisam lidar com um volume considerável de casos relacionados a crimes ambientais e violações de direitos humanos. A eficiência na prestação desse serviço será um fator determinante para que a lei cumpra seu objetivo de valorização e proteção, sem comprometer a capacidade do Estado de responder a outras demandas urgentes na região.

A aprovação final do projeto de lei, após passar pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, e posteriormente pelo Senado, determinará se essa garantia se tornará realidade. A expectativa é que, se sancionada, a lei contribua para a segurança jurídica dos agentes, permitindo que atuem com maior tranquilidade em defesa da sociedade e do patrimônio natural, especialmente em regiões vulneráveis como a Amazônia.

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