A Comissão de Infraestrutura do Senado Federal desembarcou em Mato Grosso com um objetivo claro: discutir o futuro da rodovia BR-070, um dos principais eixos de escoamento de produção do estado. A pauta principal da visita, que reuniu senadores, representantes do governo estadual e da sociedade civil, foi a defesa da duplicação da rodovia, um pleito antigo de produtores rurais, transportadores e da população em geral. A BR-070, que liga o centro-oeste ao norte do país, tem sido palco de crescentes gargalos logísticos e de preocupantes índices de acidentes, o que torna a discussão sobre sua modernização uma urgência.
Sandro Maracá, com três décadas de acompanhamento da política no Amapá e com um olhar atento para os desafios logísticos que afetam a região amazônica, não vê a pauta mato-grossense como um evento isolado. “A infraestrutura de transporte é a espinha dorsal do desenvolvimento de qualquer estado, e em regiões de forte vocação agrária e com vastas distâncias a percorrer, como é o caso de Mato Grosso, a qualidade das rodovias impacta diretamente na competitividade dos produtos e na segurança dos cidadãos. No Amapá, por exemplo, a falta de conexão rodoviária adequada com o restante do país limita severamente nosso potencial”, analisa Maracá.
A comissão, em sua passagem por Mato Grosso, ouviu atentamente os argumentos que defendem a duplicação. Produtores rurais argumentam que o aumento do fluxo de caminhões, especialmente de grãos e commodities, tem sobrecarregado a pista simples, gerando lentidão e aumentando os custos de transporte. “Cada hora parada na estrada representa um prejuízo. Com a duplicação, ganhamos agilidade e previsibilidade”, disse um representante do setor durante o encontro.
Os números, quando analisados sob a ótica de quem vive a realidade do tráfego intenso, parecem corroborar a necessidade da obra. Relatórios preliminares apresentados durante a reunião indicam um aumento de mais de 30% no volume de tráfego na BR-070 nos últimos cinco anos. Esse crescimento, embora positivo em termos de atividade econômica, expõe a fragilidade da infraestrutura atual. A ausência de um planejamento de longo prazo que acompanhe o desenvolvimento econômico tem sido um fantasma recorrente em diversas regiões do Brasil, e Mato Grosso não é exceção.
A questão da segurança viária também foi um ponto central. Dados levantados pela Polícia Rodoviária Federal, ainda que não apresentados formalmente em todos os detalhes pela comissão, apontam para um número alarmante de acidentes na rodovia, muitos deles fatais, decorrentes de ultrapassagens arriscadas em trechos de pista simples e do tráfego pesado. A duplicação, argumentam os defensores, não só otimizaria o fluxo, mas também reduziria drasticamente os riscos para motoristas e passageiros.
Contudo, como em toda discussão de grande vulto financeiro e político, existem contrapontos e desafios. Fontes não oficiais indicam que o custo estimado para a duplicação da BR-070 ultrapassa a casa dos bilhões de reais, o que exige um planejamento orçamentário minucioso e a busca por fontes de financiamento, que podem vir tanto do tesouro público quanto de parcerias público-privadas (PPPs). A viabilidade econômica e a sustentabilidade financeira a longo prazo do projeto são pontos que ainda precisam ser detalhados e debatidos com profundidade. A equipe do Setentrional.com tentou contato com o Ministério dos Transportes para obter um posicionamento oficial sobre os próximos passos e os estudos de viabilidade em andamento, mas até o fechamento desta matéria, não obteve resposta. A ausência de um pronunciamento oficial, neste momento, deixa em aberto as possibilidades e a velocidade com que o projeto poderá avançar.
A visita da Comissão de Infraestrutura a Mato Grosso é, portanto, um passo importante, mas não o fim da jornada. A defesa da duplicação da BR-070 ganha força com o apoio institucional, mas a concretização da obra dependerá de uma série de fatores técnicos, financeiros e políticos. É fundamental que o debate continue aberto, com transparência e com a participação de todos os setores envolvidos. O leitor, munido dessas informações, está convidado a formar seu próprio juízo sobre a relevância e a viabilidade deste projeto para o desenvolvimento do estado e do país.
