A disputa pela Presidência do Peru entrou em nova fase na madrugada desta quinta-feira (11), com a candidata conservadora Keiko Fujimori reassumindo a liderança na apuração dos votos, ultrapassando o oponente da esquerda, Roberto Sánchez. A virada ocorreu à medida que a contagem dos votos enviados do exterior avançava, evidenciando a acirrada polarização política no país andino.
Com 98,21% das urnas totalizadas, Fujimori detém 50,002% dos votos válidos, enquanto Sánchez figura com 49,998%. A diferença é mínima, com apenas 651 cédulas separando os dois candidatos, segundo dados divulgados pela ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais) do Peru. As pesquisas de intenção de voto pré-eleitorais já indicavam um cenário de empate técnico, o que se confirma na contagem final.
A apuração, iniciada no último domingo (07), quando ocorreu o segundo turno das eleições, ainda não tem um resultado definitivo. A expectativa é que o anúncio final possa se estender por mais dias, dada a complexidade logística envolvida no processo eleitoral peruano. A geografia desafiadora do Peru, com vastas áreas de selva e regiões montanhosas de difícil acesso, somada ao sistema de voto impresso, que exige o transporte físico das cédulas para centros de apuração, são fatores determinantes para a lentidão na totalização.
Em áreas remotas, o acesso aos locais de votação e o transporte das urnas muitas vezes dependem de embarcações fluviais, em rios que cortam a região amazônica peruana, ou de viagens por trilhas precárias, por vezes utilizando animais como burros. Essa realidade logística, embora distante do cotidiano de grandes centros urbanos como Lima, é um reflexo da diversidade e dos desafios de infraestrutura que marcam o país.
Até o momento, 98,320% das urnas dentro do território peruano foram apuradas. No exterior, a porcentagem chega a 94,495%. A contagem final dos votos, especialmente aqueles provenientes de peruanos residentes em outros países, é crucial para definir o futuro presidente, que terá a tarefa de governar um país dividido e com significativos desafios econômicos e sociais.
A candidata Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, busca pela terceira vez chegar à mais alta magistratura do país. Seu adversário, Roberto Sánchez, representa uma frente de esquerda que se fortaleceu durante a campanha. O resultado apertado reflete a polarização ideológica e social que tem marcado a política peruana nos últimos anos, um cenário que, em certa medida, espelha tensões vistas em outras nações da América Latina.
A decisão final nas urnas, independentemente de quem vença, trará consigo a necessidade de um forte trabalho para unificar o país e reconstruir a confiança nas instituições democráticas. A proximidade dos resultados exige que o futuro governo priorize o diálogo e a governabilidade, buscando soluções para as demandas urgentes da população peruana, desde a recuperação econômica pós-pandemia até a melhoria dos serviços públicos em todo o território nacional.
