A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação Chargeback, visando desarticular uma organização criminosa que teria causado um prejuízo superior a R$ 263 mil ao ecossistema Mercado Livre e Mercado Pago. Um casal de pastores está entre os principais investigados, com buscas sendo realizadas inclusive em um templo religioso.
A ação, conduzida pela 3ª Delegacia de Crimes Cibernéticos (3ª Dicciber) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços na capital paulista e nas cidades de Guarulhos e São Caetano do Sul. Até o momento, três pessoas foram detidas, e a Justiça autorizou oito prisões temporárias e 15 mandados de busca e apreensão.
As investigações apontam que o grupo explorava o mecanismo de chargeback, um procedimento legítimo no mercado financeiro para contestação de compras feitas com cartão de crédito. Contudo, os suspeitos teriam manipulado esse sistema para aplicar fraudes e obter ganhos indevidos. O contexto amazônico, embora a operação tenha ocorrido em São Paulo, evidencia a capilaridade de golpes financeiros que afetam consumidores e empresas em todo o território nacional, incluindo as regiões de menor acesso a serviços bancários e maior vulnerabilidade econômica.
O esquema criminoso, segundo a polícia, iniciava com a geração de links de pagamento por membros da organização. Esses links eram, então, enviados a comparsas, frequentemente pessoas próximas ao grupo, que realizavam as transações. Após a confirmação dos pagamentos, os valores eram rapidamente transferidos para contas de terceiros, uma tática para dificultar o rastreamento do dinheiro pelas autoridades. A velocidade das transações e a pulverização dos recursos são estratégias comuns em fraudes financeiras, tornando a recuperação dos valores um desafio.
Na etapa seguinte da fraude, os próprios compradores, que eram cúmplices do esquema, contestavam as cobranças junto às operadoras de cartão de crédito, alegando supostas irregularidades nas compras. Com isso, conseguiam obter o estorno dos valores pagos. Como o dinheiro já havia sido sacado da plataforma e movimentado para outras contas, o prejuízo final acabava sendo absorvido pelo sistema financeiro, neste caso, o Mercado Livre e o Mercado Pago.
Os dados preliminares da Operação Chargeback revelam que somente em dezembro de 2024 foram identificadas 27 operações fraudulentas, totalizando um prejuízo confirmado de R$ 263.512,82. Os investigadores, no entanto, suspeitam que a movimentação financeira total do grupo possa ser significativamente maior, considerando a amplitude da atuação e a possível existência de outras fases não detectadas.
Os envolvidos poderão responder por crimes como associação criminosa e estelionato eletrônico, sem prejuízo de outras tipificações que surjam durante o aprofundamento das investigações. A participação de líderes religiosos em esquemas fraudulentos levanta preocupações sobre a confiança em instituições e a influência de figuras de autoridade em atividades ilícitas, um fenômeno que pode ter repercussões sociais em comunidades, inclusive no interior da Amazônia, onde a fé muitas vezes desempenha um papel central.
A Polícia Civil reforça a importância da vigilância e da denúncia para combater fraudes. A conscientização sobre os mecanismos de segurança em transações online e a atenção a links e ofertas suspeitas são essenciais para a proteção dos consumidores em todo o país, especialmente em regiões como a Amazônia Legal, onde a familiaridade com novas tecnologias pode variar, aumentando a exposição a golpes.