A confiança do consumidor na Região Amazônica apresentou uma modesta retração em maio, com o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) registrando uma queda de 0,4%, atingindo 120,6 pontos, em comparação com os 121,1 pontos de abril. Apesar desse recuo pontual, a análise interanual demonstra um cenário mais otimista, com o índice em maio de 2025 superando em 7,9% o registrado no mesmo período do ano anterior.
Os dados, divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), refletem o comportamento do consumidor em um ambiente econômico que, na Amazônia Legal, é particularmente sensível a fatores como a disponibilidade de crédito, o poder de compra e as expectativas sobre o futuro.
A escala do ICC varia de zero a 200 pontos, sendo que a marca de 100 pontos delimita a fronteira entre o pessimismo e o otimismo. Na Amazônia, onde a economia é frequentemente impulsionada por ciclos de commodities e pela força do mercado interno em cidades como Manaus (AM) e Belém (PA), as flutuações econômicas nacionais e regionais têm impacto direto na percepção dos consumidores.
Entre os fatores que pressionaram a confiança na região, destaca-se a persistência da taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados, atualmente em 14,5% ao ano. Essa condição encarece o crédito, dificultando aquisições que dependem de financiamento ou parcelamento, como veículos, eletrodomésticos e até mesmo bens de consumo duráveis, que são importantes para o dinamismo econômico em estados como Rondônia (RO) e Acre (AC).
Para as famílias amazônicas, que muitas vezes dependem de crédito para a aquisição de bens essenciais e para o investimento em pequenos negócios, a alta da Selic representa um desafio adicional, impactando o planejamento financeiro e a capacidade de consumo. A dificuldade de acesso ao crédito pode frear o consumo de bens e serviços, afetando o comércio local em municípios como Macapá (AP) e Boa Vista (RR).
Por outro lado, o programa Desenrola Brasil, que oferece descontos expressivos para a renegociação de dívidas, surge como um fator de alívio. A iniciativa, ao permitir que consumidores regularizem pendências em cartões de crédito, cheque especial e crédito pessoal, tem o potencial de melhorar a organização financeira das famílias. A FecomercioSP ressalta, contudo, que os efeitos positivos sobre o consumo na Amazônia, assim como em outras regiões, devem ser graduais. A efetividade do programa depende da adesão dos consumidores, das condições oferecidas pelas instituições financeiras e da real capacidade de pagamento das famílias após a renegociação.
Na Amazônia, a expectativa é que a melhora na situação de endividamento possa impulsionar a demanda por bens e serviços, especialmente aqueles adiados devido às dificuldades financeiras. O consumo em cidades com forte vocação turística, como Alter do Chão (PA), também pode ser beneficiado por uma maior capacidade de gastos.
A análise da FecomercioSP, embora focada no consumidor paulistano, oferece um panorama relevante para a compreensão das tendências econômicas em todo o país, incluindo a Região Amazônica. A combinação de juros altos e programas de renegociação de dívidas cria um cenário de incertezas, mas também de oportunidades para a recuperação do poder de compra, um elemento crucial para o desenvolvimento sustentável da economia amazônica.
