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ONU Alerta: Saneamento Precário no Brasil Agrava Poluição Marinha

Um relatório recente da Organização das Nações Unidas (ONU) lança um alerta sobre a conexão direta entre o saneamento básico insuficiente no Brasil e o agravamento da poluição nos oceanos. O estudo, intitulado Avaliação Global do Oceano (WOA3), aponta que a falta de tratamento adequado de esgoto e a gestão inadequada de resíduos urbanos contribuem significativamente para a contaminação das águas costeiras, rios e praias brasileiras, impactando a vida marinha e ecossistemas vitais.

O documento, um dos mais abrangentes sobre o tema desde 2017, destaca que a poluição por plásticos, que já afeta mais de 4 mil espécies marinhas globalmente, encontra no Brasil um cenário propício para sua expansão devido a falhas estruturais no saneamento. A Amazônia, embora conhecida por sua vasta floresta, também abriga uma complexa rede hídrica que deságua no Atlântico, tornando a questão do saneamento ainda mais crítica em cidades ribeirinhas e na costa amazônica. A poluição que se origina em terra, mesmo em regiões distantes do litoral, pode percorrer rios extensos e alcançar o oceano, afetando a chamada Amazônia Azul – a vasta área marítima brasileira.

O professor Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos coautores do relatório, enfatiza que o oceano atua como um importante regulador da crise climática. Contudo, os sinais de estresse, como o aumento da frequência de ondas de calor marinhas e a elevação do nível do mar, estão se tornando cada vez mais evidentes, comprometendo sua capacidade de mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Para o Brasil, com mais de 8 mil quilômetros de litoral e uma das maiores zonas econômicas exclusivas do mundo, a saúde do oceano é fundamental para a regulação climática, segurança alimentar, geração de energia, conservação da biodiversidade, transporte, turismo e a economia costeira.

Os impactos do aquecimento das águas oceânicas no Brasil incluem maior vulnerabilidade das zonas costeiras, riscos elevados para cidades litorâneas, pressão sobre as atividades pesqueiras e o aumento de eventos climáticos extremos associados ao Atlântico Tropical. A pesca artesanal, crucial para a subsistência de comunidades em estados como Pará (PA) e Amapá (AP), e a aquicultura enfrentam ameaças diretas, comprometendo a segurança alimentar e a economia local, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Globalmente, o relatório da ONU aponta para um cenário preocupante: a frequência das ondas de calor marinhas dobrou desde os anos 1980, e a taxa de elevação do nível médio global do mar atingiu 4,3 mm por ano entre 2013 e 2023, um aumento de 50% em comparação com o período de 1993-2018. Essas tendências representam um risco iminente para ecossistemas marinhos e para as populações humanas que dependem deles. A falta de saneamento básico no Brasil, portanto, não é apenas um problema de saúde pública interna, mas uma questão ambiental com repercussões globais, exacerbando a poluição marinha e contribuindo para a degradação do oceano.

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