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Sul Global: Amazônia e Outros Biomas Lideram Soluções Climáticas

As discussões e propostas apresentadas na primeira edição do Rio Nature & Climate Week, encerrada na sexta-feira (5), colocaram o Sul Global no centro do debate sobre a crise climática. O evento, idealizado pelo presidente do Instituto Natureza e Clima Brasil, Rodrigo Medeiros, buscou dar protagonismo às nações da América Latina, África e Sudeste Asiático, detentoras de 90% das florestas tropicais remanescentes e 80% da biodiversidade mundial.

Medeiros ressaltou que o Sul Global está cansado de participar de fóruns no Hemisfério Norte sem encontrar soluções efetivas. “Agora, a gente tem um fórum para chamar de nosso, e, a partir daqui, as nossas demandas, oportunidades e também as soluções que são desenvolvidas aqui no Sul Global vão ser discutidas e vão ser amplificadas para o mundo”, afirmou o idealizador.

O objetivo principal do encontro foi influenciar a agenda global e fomentar um ecossistema de ações que conecte políticas públicas, finanças, ciência, cultura e movimentos de base, focando nas questões de natureza e clima. A iniciativa visa preparar o terreno para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), que ocorrerá em novembro na Turquia.

A proposta dos organizadores é que o Rio de Janeiro se torne sede anual do evento, reunindo representantes globais para discutir problemas e desenvolver soluções alinhadas às necessidades das populações mais vulneráveis, que, paradoxalmente, já contribuem significativamente para as soluções ambientais.

Um dos temas de destaque durante o fórum foi a redução das emissões de metano, considerado um gás com potencial elevado para frear o aquecimento global em curto prazo. Rodrigo Medeiros explicou que um terço das emissões que mais impactam as mudanças climáticas está relacionado a gases como o metano, que possui um tempo de permanência na atmosfera de apenas 10 a 12 anos. “Se 30%, ou um terço do problema do aquecimento é causado pelo acúmulo de metano na atmosfera, essa talvez seja uma via mais eficiente e mais rápida de a gente conseguir reduzir em 30% o problema do aquecimento global”, argumentou.

As fontes mais significativas de metano, segundo Medeiros, incluem resíduos domésticos e industriais em aterros sanitários, cuja decomposição natural libera o gás. O investimento em tecnologias de captura de metano, com a possibilidade de transformá-lo em biogás, foi apontado como uma solução promissora. Adicionalmente, a transição alimentar, especialmente a redução do consumo de carne, foi mencionada como um fator importante, uma vez que a pecuária figura entre os principais emissores desse gás. A relevância desses temas para a Amazônia Legal, que abriga vasta biodiversidade e florestas vitais para o equilíbrio climático, é imensa. A preservação das florestas e a adoção de práticas sustentáveis na agropecuária são cruciais para a mitigação das emissões de metano e outros gases de efeito estufa na região, que possui um papel fundamental na regulação climática global.

A necessidade de soluções adaptadas às realidades locais e regionais foi um ponto recorrente, enfatizando que os países do Sul Global possuem conhecimentos e práticas ancestrais que podem ser fundamentais para enfrentar a crise climática. A integração dessas soluções com políticas públicas e investimentos internacionais é vista como o caminho para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável e equitativo. A participação ativa de comunidades ribeirinhas e indígenas na formulação e implementação dessas estratégias é essencial, pois são eles que detêm o conhecimento tradicional sobre o manejo dos recursos naturais e a conservação da biodiversidade.

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