O Peru, país com 34 milhões de habitantes, se prepara para definir seu próximo presidente, que governará de 2026 a 2031. A disputa eleitoral se concentra entre a candidata de direita Keiko Fujimori e o representante da esquerda, Roberto Sánchez Palomino. A eleição presidencial ocorre em um contexto de instabilidade política e econômica que tem marcado o país sul-americano.
Após um primeiro turno com apuração prolongada, Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, obteve 17,1% dos votos. Roberto Sánchez alcançou 12,0% em uma votação que apresentou 35 candidatos. A situação política peruana é marcada por uma sucessão de presidentes destituídos pelo parlamento, configurando o próximo chefe de Estado como o nono em um período de dez anos.
Keiko Fujimori, apesar da vantagem no primeiro turno, enfrenta um cenário incerto. Ela já foi derrotada em três eleições presidenciais anteriores (2011, 2016 e 2021), sempre no segundo turno. Sua candidatura herda tanto o apoio quanto a rejeição associada ao seu pai, Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos, incluindo a esterilização forçada de mulheres indígenas. Durante a campanha, Fujimori sinalizou uma aproximação com os Estados Unidos, o que pode impactar os investimentos chineses no país, especialmente no Porto de Chancay, corredor logístico crucial para o escoamento da produção sul-americana para a Ásia.
Por outro lado, Roberto Sánchez Palomino, que foi ministro durante o governo de Pedro Castillo, posiciona-se como defensor das políticas implementadas pelo ex-presidente. Castillo, eleito em 2021 contra Keiko Fujimori, foi destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Congresso. Seus apoiadores argumentam que ele representava os interesses das populações rurais e indígenas, sendo vítima do parlamento.
Sánchez, deputado peruano e psicólogo de formação, pertence ao partido Juntos Pelo Peru. Sua plataforma inclui a proposta de uma reforma constitucional para substituir a Carta Magna herdada do fujimorismo, além de defender reformas sociais voltadas para a ampliação de direitos. A eleição no Peru ganha relevância regional, com potenciais repercussões na disputa comercial entre China e Estados Unidos na América Latina, conforme análise de especialistas.
Gustavo Menon, professor de pós-graduação em Integração da América Latina na Universidade de São Paulo (USP), destaca que a eleição pode influenciar o equilíbrio de poder na região. “Roberto Sánchez se opõem vertiginosamente à plataforma encampada por Keiko Fujimori, que pretende se realinhar com os EUA. Ela já fez acenos a Donald Trump no sentido de recrudescer a política migratória e estancar a influência chinesa que se dá, sobretudo, via Porto de Chancay”, avalia Menon. A escolha do próximo líder peruano terá implicações significativas para as relações internacionais e o desenvolvimento econômico do país andino e da América do Sul.
